A Anfavea e o Sindipeças querem um novo e aperfeiçõado Inovar Auto

10/08/2016

A Anfavea e o Sindipeças querem um novo e aperfeiçõado Inovar Auto

A indústria automotiva se mobiliza para esboçar uma política automotiva que dê continuidade ao Inovar Auto, programa iniciado em 2013 com validade até dezembro 2017. A Anfavea, associação das montadoras de veículos, e o Sindipeças, entidade que representa as fabricantes de autopeças, já confirmaram que estão envolvidas na negociação do próximo programa para o setor.

As organizações não falam de Inovar Auto 2, mas de uma nova política industrial automotiva com prazo mais longo. “Pedimos um programa que nos dê previsibilidade de pelo menos 10 anos, com ajustes a cada cinco anos”, conta Antonio Megale, presidente da Anfavea. Garantir horizonte claro para que as empresas tracem estratégias e programem investimentos é, inclusive, a principal bandeira da gestão do executivo na entidade.

Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, concorda: “O Inovar Auto precisa ser sucedido por uma política automotiva. Um prazo mais longo do que cinco anos seria um primeiro objetivo”. Na análise do dirigente, o novo programa deveria seguir estimulando a melhoria da eficiência energética, fomentar o aumento da segurança e da conectividade nos carros e, enfim, promover o adensamento da cadeia de autopeças no Brasil.

Inovar Auto fracassa para setor de autopeças

Este último pilar, focado em estimular a cadeia produtiva, foi talvez o grande fracasso do Inovar Auto em sua primeira etapa. O apoio a fornecedores e o aumento do conteúdo local dos carros estavam entre as grandes metas da iniciativa, mas os resultados devem ficar bem longe do esperado. “É um fato que o programa reduziu a importação de veículos para o Brasil. Não é um fato que ele provocou o aumento da localização de autopeças”, avalia Ioschpe.

O presidente do Sindipeças conta que o impacto do Inovar Auto foi uma drástica redução nas importações de veículos. “Antes do programa tínhamos participação próxima de 25% de veículos de outros países nas vendas. Hoje este número caiu para 14%.” Este processo era visto inicialmente como uma possibilidade de beneficiar a indústria como um todo, mas os resultados efetivos foram bem diferentes disso, ele diz.

“O Inovar-Auto trouxe uma série de novas montadoras para o Brasil, que em alguns casos têm volume de autopeças produzidas localmente muito baixo. Esta é uma das razões para, na primeira fase do Inovar Auto registrarmos agravamento da balança comercial de autopeças, com mais importação”, analisa.

A principal ferramenta criada pelo programa para estimular o aumento das compras locais de componentes pelas montadoras era o rastreamento da origem das autopeças. Ao verificar isso, o regime automotivo previa penalidades para as fabricantes de veículos que não cumprissem as metas de conteúdo local. A questão é que até mesmo a ferramenta para rastrear a origem dos componentes só entrou em operação dois anos depois do início do Inovar Auto e até o momento, não teve nenhum resultado dessas medições divulgado.

Como será a próxima etapa

O resultado frustrante para a cadeia produtiva ficou evidente até para as montadoras, que começam a ter dificuldade para trabalhar com os enfraquecidos fornecedores locais. “A nova política industrial deve consolidar avanços do Inovar Auto e se apoiar em três pilares: eficiência energética; pesquisa, desenvolvimento e inovação; além da recuperação da cadeia de autopeças, que está muito fragilizada com a crise”, declarou Megale, da Anfavea.

Ioschpe defende que o apoio aos fabricantes de componentes precisa trazer mecanismos para adensar hoje áreas que não têm cadeia de fornecedores ou são fracas no Brasil, como a eletrônica veicular. “Devemos atacar isso e criar as condições para que a atividade se desenvolva. Vai ser necessário algum incentivo. É muito difícil que aconteça de forma natural”, defende.

O executivo lembra que o incentivo à pesquisa e desenvolvimento do Inovar Auto sempre focaram nas montadoras. A ideia é que, na nova política, estas medidas também sejam direcionadas à cadeia de autopeças. Megale acrescenta que o trabalho deve envolver todo o setor automotivo, com um esforço para repensar custos e oferecer desonerações.

Fonte: Automotive Business

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